Documento técnico · versão ponte-v2.0

Como o APC
é construído.

Comunicação é território sério demais para diagnóstico frouxo. Esta página abre o instrumento em detalhe: o que ele mede, como mede, o que ele não promete e quais controles usamos para não te devolver um retrato torto.

Itens totais

212

Versão curta

69

Subdimensões

21

Arquétipos

12

1. O que o instrumento mede

O PONTE opera em cinco camadas paralelas — o mesmo conjunto de respostas alimenta cada uma delas com pesos e regras próprias:

  • Perfil comunicacional: 12 arquétipos, com afinidade primária e secundária.
  • Método OCI: 3 pilares (Observação · Conexão · Impacto) × 6 subdimensões cada = 18 constructos.
  • Padrões limitantes: 15 categorias, medidas por itens dedicados e por inferência de subdimensões baixas.
  • Contextos comunicacionais: 10 contextos (reunião executiva, feedback, palco, digital, negociação…) — cada um combina itens diretos com subdimensões críticas.
  • Potencial evolutivo (IPE): 6 fatores que medem o quanto você já pratica hábitos de aprendizado deliberado.

2. Escala e ancoragem

Todos os itens usam escala Likert de 7 pontos com âncoras textuais (não apenas números): de Discordo totalmente a Concordo totalmente, com neutro central. Cerca de 25–30% dos itens são reversos — a mesma subdimensão é sondada por afirmações positivas e negativas para reduzir viés de resposta.

Cada item tem peso 1 a 3 conforme centralidade no constructo. A conversão Likert→0–100 é linear ((v−1)/6·100) e determinística — a mesma resposta sempre produz o mesmo score.

3. Base científica

Cada subdimensão referencia literatura estabelecida — a lista abaixo é o núcleo:

  • Rogers & Brownell — active listening como preditor de qualidade relacional.
  • Ferris — political skill e leitura de ambiente corporativo.
  • Mayer, Salovey & Goleman — inteligência emocional aplicada.
  • Barrett — emotion granularity como base de regulação afetiva.
  • Cialdini — princípios de influência ética.
  • Kahneman & Oppenheimer — controles de atenção em pesquisa auto-relato.
  • Tickle-Degnen & Rosenthal — rapport e sinais não-verbais.
  • Grant & Heifetz — liderança adaptativa e comunicação em contextos ambíguos.
  • Davis & Zaki — perspective-taking e empatia cognitiva.
  • Marlowe & Crowne — escala de desejabilidade social para controle de viés.

4. Controles de qualidade da resposta

Cada devolutiva carrega um selo de Resposta confiável ou Baixa consistência. Ele resume cinco verificações independentes:

  • Itens de atenção (IMC) — Oppenheimer et al. (2009). Duas frases pedem uma resposta específica; falhar sinaliza leitura automática.
  • Straight-lining — Detectamos ≥80% de respostas idênticas ou coeficiente de variação < 0,08 na cauda das últimas 15 respostas.
  • Consistência reversa — Cada subdimensão OCI é sondada por pelo menos dois itens diretos e dois reversos. Divergência ≥ 40 pontos entre médias reduz o índice.
  • Ritmo — Se a mediana de tempo por item for menor que 1,5 segundo, marcamos como resposta apressada.
  • Desejabilidade social — 6 itens inspirados em Marlowe-Crowne (virtudes improváveis, defeitos universais). Concordância alta e consistente indica auto-apresentação idealizada e ajusta a leitura.
  • Não se aplica — Todo item Likert aceita ser marcado como não-aplicável. Itens marcados N/A não pontuam e o contador aparece na devolutiva.

Nenhum desses controles invalida um resultado — todos são exibidos com transparência para que você possa decidir refazer com honestidade radical.

4b. SJT — Julgamento situacional

Além de itens auto-relato, o instrumento inclui Situational Judgment Tests — cenários realistas com 4 opções de ação que você ordena da melhor para a pior. Comparamos seu ranking ao ranking ideal (opções ordenadas por qualidade, ancorada por literatura sobre influência, feedback e regulação emocional) usando pesos decrescentes (0,50 · 0,30 · 0,15 · 0,05). O resultado alimenta a subdimensão alvo com peso 2× e ajuda a distinguir o que você declara de o que você faria.

Base: Weekley & Ployhart — Situational Judgment Tests; Bohns — You Have More Influence Than You Think; Cialdini — princípios de influência ética.

5. Como o resultado é calculado

  1. Cada resposta vira score 0–100 (invertido em itens reversos) e vai para a subdimensão correspondente com seu peso.
  2. Média ponderada por subdimensão → média simples por pilar → média dos 3 pilares gera o OCI Geral.
  3. Afinidade de arquétipo = soma ponderada dos scores das subdimensões relevantes para aquele arquétipo, normalizada pelo peso total.
  4. Se a diferença entre arquétipo primário e secundário for menor que 5 pontos, marcamos como perfil misto.
  5. Contextos combinam 50/50 itens diretos daquele contexto com a média das subdimensões críticas.
  6. Padrões limitantes: itens dedicados têm peso em relação a triggers indiretos (subdimensões baixas).
  7. Maturidade final = OCI Geral penalizado pelo desequilíbrio entre pilares (evita mascarar um pilar fraco com dois fortes).

6. O que o PONTE não é

  • Não é teste psicológico clínico e não substitui avaliação profissional.
  • Não é ferramenta de seleção, promoção ou demissão. É um espelho pessoal.
  • Não mede QI, personalidade Big Five, nem traços clínicos.
  • Não substitui feedback 360°. Idealmente, complementa.
  • Não é definitivo. Comunicação é hábito — o retrato de hoje muda com prática deliberada.

7. Roadmap psicométrico

A partir de N ≥ 200 respostas completas, publicamos anualmente:

  • α de Cronbach por subdimensão e pilar (consistência interna).
  • Análise fatorial exploratória (EFA) validando a estrutura de 18 constructos.
  • Correlação inter-arquétipos para verificar distinção discriminante.
  • Revisão de itens com carga fatorial < 0,40 ou correlação item-total < 0,30.

O relatório técnico é público e datado. Nosso compromisso é aprimorar o instrumento com dado — não com opinião.

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